quinta-feira, 3 de maio de 2018

Amor transbordante


Seus olhos ávidos por uma resposta, que eu não podia dar.
Uma criança ferida, dentro de si, a exigir explicação.
Como dizer que eu não tinha como guiar o caminho?
Poderia até indicar, sem certeza, uma direção.
Já que estou tão perdida quanto você nesse labirinto.
Será que juntos podemos encontrar uma resposta?
Ou teremos mais perguntas no vácuo de nossa imensidão?
O nosso vazio particular pode ser preenchido pela união dos nossos vazios?
Talvez, melhor seria cada um preencher o seu próprio vazio...
E ao encontrar uma outra metade completa, não precisar ser preenchido por ela e nem preenchê-la.
Então, não seriamos mais incompletos a procura de preenchimento,
mas, inteiros, preenchidos em busca de complemento.
E qual seria a diferença entre preencher e completar?
Se eu busco preenchimento, dou a você toda a responsabilidade (ou culpa) de cobrir (ou não) o meu vazio.
Se, ao contrário, peço que complete o que já tenho em partes preenchido, cofabricamos algo em conjunto.
Mas, pensado bem...
Pensando bem...
Não quero que me preencha e nem que me complete.
Melhor seria se me transbordasse...
Se você me transborda, já estou repleta em mim.
Já decidi!
 Nem preenchimento e nem complemento.
Quero o amor transbordante.
Aquele em que o amante apenas ama.
Toda a parte do drama da metade da laranja fica pros folhetins.
Que o próximo amor me transborde,
não quero mais complemento
e menos ainda preenchimento.

Ana Paixão, querendo transbordar.


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