sábado, 24 de março de 2018

em leituras de uma dor.

Vendo aquela angústia
Tive vontade de chorar
Algo em mim angustiado
Entendeu a sua dor
E quis proteger você desses tormentos, mas, que direito tenho
de achar que sou bálsamo para suas feridas?
Cada dor, uma história,
Cada angústia, uma memória.
Respeitar esses momentos, tão seus é fazer algo, sem fazer.
Não há poder no mundo que barre sua força, quando ela vem.
Devidamente medicado, respiração ofegante, voltando "ao normal".
Memórias do inconsciente, revelam dores inexplicáveis, sem pedir licença, aprisionam a alma.
Todo amor oferecido, por maior que seja, não alcança esse lugar só seu.
Mesmo sabendo disso, e vendo seu destroçamento, ofereço, com respeito, o amor que tenho no peito.
Certamente não vai curar as feridas, nem apagar as memórias, mas, amar assim, sem poder fazer nada, simplesmente sustentando ficar nas piores crises e dias mais nublados, talvez, seja só o que se possa fazer.
Bancar as crises e permanecer, é fazer, sem fazer.
Amar, sem impor o amor que cobra bem estar a todo tempo, já que o bem, nem sempre estará.
Ana Paixão, em leituras de uma dor.

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