E quis dançar do lado de lá
Olhou insistentemente para o lago
E pensou em seu convite aceitar
As águas chamavam para o fundo
A vontade era de se jogar
Pessoas passeavam contentes
Patos e gansos a nadar
Um dia comum no parque
E um desespero
Para amparar
Lágrimas insustentáveis
Já não aguentava mais chorar
Foram tantas horas de pranto
Que seu rosto estava desfigurado
Mais de três horas em frente ao lago
Pensou nos motivos para não atender ao convite
Imaginou como seria
O lago hipnotizante
Conversou consigo
Recusou a oferta
E lentamente se afastou
Pegou a lista de contatos
Pediu ajuda
Sobreviveu aquele dia
Chorou mais um pouco
Saiu do consultório* com um certo alívio
Agradeceu pela ajuda recebida
“fora de hora”,
talvez, não houvesse outra hora se não fosse aquela.
Bendita escuta acolhedora das angústias de uma dor.
Ana Paixão, em relatos poéticos de uma dor (*clínica)
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