Apaixonar-se pela louca do outro é dizer um pouco sobre as suas próprias
loucuras. O que o encanta? O que o consome? Qual o motivo de sua excitação? De
todas as pessoas que poderia se apaixonar você escolhe uma que diz algo sobre
você. Algo lhe falta e alguma coisa na loucura da pessoa desejada atrai você e
desperta os mais loucos instintos narcísicos de admirar-se a si mesmo. Amo em
você aquilo que há ou falta em mim. Seja como for, amo-me a mim mesmo. Em mais
aprofundada análise tudo está relacionado a mim e ao meu amor por mim. Talvez,
por isso, desejo loucamente você. Pretendendo encontrar o que não vi no espelho,
mas que de alguma forma há em mim. Em última instância, amo-me a mim mesmo,
mas, em você. Assustadoramente percebo essa verdade ao admirar você. É o que
chamaria de louca paixão por mim mesmo, mas, meio sem jeito de confessar, sigo
a me encontrar em seu olhar e a me amar através de seus olhos. Seria mais
simples olhar para mim e me ver, mas aos poetas e filósofos sobrariam poucas
coisas a fazer. Então, seguimos amando a nos mesmos nos outros e fornecendo
material para a produção artesanal da filosofia e poesia local. Nada banal é o
amor. Paixão, loucuras e fantasias. Delírios poéticos e excitação. Parte de
metades desfragmentadas da razão. Loucura ou não. Paixão!
Ana Paixão, em devaneios e alucinação.
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