sábado, 14 de abril de 2018

Amor narcísico


Apaixonar-se pela louca do outro é dizer um pouco sobre as suas próprias loucuras. O que o encanta? O que o consome? Qual o motivo de sua excitação? De todas as pessoas que poderia se apaixonar você escolhe uma que diz algo sobre você. Algo lhe falta e alguma coisa na loucura da pessoa desejada atrai você e desperta os mais loucos instintos narcísicos de admirar-se a si mesmo. Amo em você aquilo que há ou falta em mim. Seja como for, amo-me a mim mesmo. Em mais aprofundada análise tudo está relacionado a mim e ao meu amor por mim. Talvez, por isso, desejo loucamente você. Pretendendo encontrar o que não vi no espelho, mas que de alguma forma há em mim. Em última instância, amo-me a mim mesmo, mas, em você. Assustadoramente percebo essa verdade ao admirar você. É o que chamaria de louca paixão por mim mesmo, mas, meio sem jeito de confessar, sigo a me encontrar em seu olhar e a me amar através de seus olhos. Seria mais simples olhar para mim e me ver, mas aos poetas e filósofos sobrariam poucas coisas a fazer. Então, seguimos amando a nos mesmos nos outros e fornecendo material para a produção artesanal da filosofia e poesia local. Nada banal é o amor. Paixão, loucuras e fantasias. Delírios poéticos e excitação. Parte de metades desfragmentadas da razão. Loucura ou não. Paixão!

Ana Paixão, em devaneios e alucinação.

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