Era outono e o sol brilhava. Cumprimentei por três vezes aquele
homem, que trabalhava com reciclagem. Carroceiro. Tão acostumado a ser
invisível, não pensou que era com ele. Insisti mais uma vez e na quarta
olhou desconfiado para mim. Não acreditava que alguém tivesse parado
para diz-lhe "bom dia". O olhei nos olhos e ele meio sem jeito
retribuiu. Respondeu meu "bom dia" e sorriu timidamente. Continuou
trabalhando. Entreguei os sacos que tinha nas mãos com produtos
recicláveis que havia separado para ele,
agradeceu. Disse que não estava acostumado com “moça bonita” parando
para falar com ele, olhou fundo em meus olhos e falou: “menina, sua alma
é boa!” Estendi as mãos para ele, que recebeu envergonhado, pois estava
mexendo no que para os outros era lixo, para ele era o sustento e
virava arte. Recebeu meu aperto de mão e continuou sua vida. Era nítido
que a invisibilidade o fizera desconfiado. Ninguém o enxergava, menos
ainda cumprimentava. Seu nome é Osmar e vive por ai a buscar material
reciclável para sustentar a si mesmo e aos seus(família que fez na rua e
cachorros). Acredito que mais pesado do que sua carroça é o
preconceito/desprezo social a qual está exposto diariamente.
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Ana Paixão, invisibilidade social.
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