quinta-feira, 26 de abril de 2018

Invisibilidade social


Era outono e o sol brilhava. Cumprimentei por três vezes aquele homem, que trabalhava com reciclagem. Carroceiro. Tão acostumado a ser invisível, não pensou que era com ele. Insisti mais uma vez e na quarta olhou desconfiado para mim. Não acreditava que alguém tivesse parado para diz-lhe "bom dia". O olhei nos olhos e ele meio sem jeito retribuiu. Respondeu meu "bom dia" e sorriu timidamente. Continuou trabalhando. Entreguei os sacos que tinha nas mãos com produtos recicláveis que havia separado para ele, agradeceu. Disse que não estava acostumado com “moça bonita” parando para falar com ele, olhou fundo em meus olhos e falou: “menina, sua alma é boa!” Estendi as mãos para ele, que recebeu envergonhado, pois estava mexendo no que para os outros era lixo, para ele era o sustento e virava arte. Recebeu meu aperto de mão e continuou sua vida. Era nítido que a invisibilidade o fizera desconfiado. Ninguém o enxergava, menos ainda cumprimentava. Seu nome é Osmar e vive por ai a buscar material reciclável para sustentar a si mesmo e aos seus(família que fez na rua e cachorros). Acredito que mais pesado do que sua carroça é o preconceito/desprezo social a qual está exposto diariamente.
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Ana Paixão, invisibilidade social.

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