Ao final pensei: e agora? Como será? É possível viver sem
amar? O que faço com o estrago que ficou em meu coração depois dessa tormenta?
Minha vida tornou-se um mar revolto, sem que pudesse encontrar algo para me
agarrar. Então, achei uma tábua de salvação. Havia desistido de procurar em que
me sustentar. Curiosamente, aquilo que coloquei como suporte para minha vida,
era algo que neguei por um tempo, não soube como lidar. Passei um bom tempo querendo
sair daquelas situações. Uma minha perdição, a outra, sem saber: salvação.
Agarrei-me aquela tábua como sendo a melhor coisa que me acontecera até aqui. Em
meio a muitas sombras, me vi. Não sabia o que fazer com aquilo. Experiência
nova essa de não saber para onde ir. Decidi partir. Fui e ao mesmo tempo
fiquei. A decisão foi a mais difícil que na vida já tomei. Em alguns dias
pensei que não suportaria a pressão. A ordem do dia era “sobreviver”. Sobrevivi
ao caos. Enfrentei meus medos, angústias e fantasmas. Não foi indolor. Aliás,
dor foi o que mais senti em todo esse processo de chegar e partir. Permaneci
onde quis e fui embora do lugar que não podia mais ficar. Estive no inferno e
voltei. Quase não saio de lá. Foi duro, difícil e cruel. Nunca é fácil
abandonar sonhos, deixar para traz ilusões criadas com tanto apego. Errado, eu
sei. Mas, o que fazer? Todos um dia queremos a felicidade e o amor, enfim. O
que fazer? Recomeçar quando o coração puder suportar novamente o sentimento
nobre e avassalador, que traz desejo, loucura... Ah! O amor...
Ana Paixão
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