sexta-feira, 20 de abril de 2018

voz emprestada a memórias amargas


(Ditadura)
Impossível não se afetar com o choro
causado pelas memórias traumáticas
de um terror vivido no passado, tão presente,
quando o relato vem à mente
e se mistura as lágrimas de sangue
que escorrem no corpo
a lembrar da dor da tortura.
Ditadura!
O tempo não faz passar a angústia,
ao contrário, parece fazer aumentar,
pois a punição aos culpados nunca virá.
Nunca virá!
Os pais daquela dor velaram um corpo coberto por flor,
na tentativa de disfarçar o indisfarçável:
as marcas da tortura.
Enlouquecedor pensar nas atrocidades,
mais ainda ignorar essa realidade vivida pouco tempo atrás.
Pior pensar que há quem defenda viver novamente assim.
Quem poderá nos defender?
Quem poderá responder ao questionamento
dos amigos e familiares feito com as mãos no caixão,
que diziam: "onde estava Deus nessa hora"?
Consegue responder agora?
Ana Paixão, voz emprestada a memórias amargas (Aurora)

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