Essa paixão
foi a melhor distração para os tormentos de uma dor.
Foi o que me
resgatou do poço fundo e gélido em que me via.
Boa parte
disso tudo foi, sim, uma fantasia.
Mas, note
bem, foi ela que me fez suportar a realidade.
Ver a
verdade era tão cruel e dolorido, que preferia ter morrido.
Porém, por
causa de uma paixão, pude querer afastar a solidão/depressão e novamente
sonhar.
O sonho
aqui, metáfora para a vida.
Quando pude
novamente sonhar...
Quis novamente
amar, viver e me apaixonar.
É tudo isso
muito além da razão,
É preciso um
outro olhar para entender,
Por favor,
não limite as questões e sentimentos aqui expostos a teorias racionais, banais.
Seria apequenar
a importância e beleza de natureza transcendental
Dizer que
foi uma paixão transferencial.
Falar que o
que queria era me ver em você e tal...muito racional!
Fiquemos com
a beleza dessa passagem poética de minha vida,
Que levo com
carinho, como quem começa a sair de um profundo abismal
Para ver o
mundo,
ainda que fosse transferencial...
ainda que fosse transferencial...
ainda que fosse transferencial...
Que bela
maneira de me ver, querer você.
Que linda
forma de reviver o que estava perdido em mim.
Tudo bem que
tenha sido assim.
A poesia é
linda da mesma maneira
Que levemos
a dureza da vida na brincadeira.
Não posso
prometer nada, nem quero, apenas preciso continuar a viver, com o que sobrou de
mim de toda essa experiência e aproveitar a transcendência para os novos
começos, das auroras que estão por vir, num amanhã desconhecido.
Há medo sim,
não conheço o que existe do lado de lá.
Acostumei com
o quarto escuro, sem vida, sem lar.
Reconstruo-me
a partir de um novo eu, que não sei quem sou.
Agradeço,
sim, ao que passou e espero ver muito mais passar e construir em mim mesmo um
lar.
Sigo em
busca do amar, mas amar direito, encontrando em mim o amor que se perdeu e
depois de encontrar, mais refeita, talvez melhor resolvida (ou não),
compartilhar.
Ana Paixão.
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